Uma tentativa, sabida vã, de dar significação à vida.
Uma certeza de, na junção das letras, conferir à vida o meu significado.

12 de março de 2010

Aos "meus" bibliotecários


O bibliotecário, de Giuseppe Arcimboldo (1566)
97 x 71 óleo sobre tela



Para Ana Márcia, Bruno, Cintia, Durval, Emília, Gilda, Juliana,
Júlio, Luiz, Mariana, Mirna, Renata, Renato, Verônica e até...
... o Romuel!!


"Eu sempre imaginei que o paraíso
deve ser algum tipo de biblioteca."
(Jorge Luis Borges)

Quando pequena, pequena mesmo – nem sabia ler –, ganhei meu primeiro livro – Rapunzel – da minha avó-madrinha. Foi um encantamento só: todas aquelas ilustrações, aquelas letras lindas, o formato do livro. Mas, meu amor, no quesito livros, era – e ainda é – muito volúvel. Outros tantos encantamentos vieram... Alguns desses amores, conheci sozinha; outros, apresentados pela mãe; outros, ainda, por alguma amiga pra valer – há amores tão bons que só as grandes e verdadeiras amigas apresentam. Mas, bacanas mesmo, foram os amores apresentados por Magali, minha primeira bibliotecária. Morena, alta, jovem, com um jeito de flor, Magali perguntava: Já leu este? Ah! Era um tal de “pega lá a minha ficha que vou levar agora mesmo” que não acabava mais!

Não me perguntem por Magali, nunca mais soube dela. Ficou perdida no tempo em que eu achava que bibliotecárias eram meio fadas, meio bruxas. Viviam ali entre os livros, nos instigando a conhecer novos mundos, talvez o mundo verdadeiro delas, para de alguma forma nos carregar para lá. Houve uma época em que fantasiei que Magali vivia dentro de um livro! Saía de lá todas as manhãs para enfeitiçar alguma menina desavisada, que carregava com ela à noite. Com o tempo, descobri que minha volubilidade não se restringia apenas aos livros. Na verdade, o meu encantamento era também por Magali. Por sua competência e profissionalismo. Por seu comprometimento com as letras. Por seu amor pelos livros, tão grande ou maior que o meu. Assim, outros bibliotecários vieram. Sim, bibliotecários, pois também descobri que “bibliotecários” não é o nome de um povo, uma tribo feito a das amazonas, composta apenas por mulheres. Talvez eles até pertençam mesmo a uma tribo, mas também há homens por lá!

Recentemente, andei muito próxima a uma dessas tribos. Não havia uma Magali entre eles. Pelo menos, não no nome. Com eles reaprendi o que Magali já havia me ensinado e, é a eles, os bibliotecários da minha vida, que dedico este pequeno texto de agradecimento por me terem permitido um convívio tão maravilhoso: com eles e com todos aqueles livros.

(Rio de Janeiro, 12 de março de 2010)

2 comentários:

Bruno disse...

Obrigado pela homenagem. Nosso dia. Dia de todos os bibliotecários. Parabéns a todos e a todas.

Saudades Patricia.
Sucesso sempre.
Bjs

Patrícia Sotello disse...

Bruno, a homenagem é mais do que merecida.
Você está entre os melhores profissionais que já tive a sorte de conhecer.
Obrigada por sua amizade.

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