Uma tentativa, sabida vã, de dar significação à vida.
Uma certeza de, na junção das letras, conferir à vida o meu significado.

4 de janeiro de 2013

Saber o amor

Lovely plant, de Vladimir Kush (s/d)
30,5 x 24,1 impressão sobre tela



"Quantos vivem toda a vida sem descobrir o que sabem e amam?
Tantos. Não ser um desses é essa a tua missão."
(Richard Bach)


Mrs. Serendipity realmente me é cara. Explico: em um blog que encontrei ao acaso (será que existe mesmo acaso?), a publicação mais recente tratava do amor. Entre os tantos amores descritos, havia o seguinte: "Amor de pai e filha! O pai está internado e a filha vai visitá-lo sempre que pode! Pois não é que eles se emocionam sempre que se veem! É lindo! Nos olhos deles saem faíscas de amor! Sempre que ela se vai, os olhos dele enchem-se de lágrimas! Não há hipótese, é instantâneo!"

Isso me fez lembrar de um fato ocorrido em uma visita que fiz ao meu pai – que está internado, a quem visito sempre que posso, e cujos olhos sempre se enchem de lágrimas ao me ver. Em um determinado momento, ficamos sem assunto, e me permiti fitá-lo por alguns instantes, o que me trouxe à lembrança alguns bons momentos da infância vividos com ele. Um pouco depois, seriamente, ele me disse: "Você está tão bonita!". Achando que eu não tinha entendido, repetiu: "Vo-cê es-tá tão bo-ni-ta!". Respondi com um obrigada e um riso sem jeito. E reencontramos nossa conversa.

Já na volta para casa, meu marido, que estava presente e não interferiu naquele momento, procurou confirmar o que meu pai havia dito, pois ele mesmo não havia entendido, já que após o AVC meu pai ficou com a fala comprometida. Confirmei, ao que meu marido respondeu: "Mas você é mesmo!".

A conclusão a que chego é que meu pai talvez não saiba que aquilo que ele teve a sensibilidade de captar em meu semblante, e a que chamou de beleza, se chama amor. De minha parte, o que eu verdadeiramente sei é que se um homem, após 25 anos de convívio, diz que eu "sou" e não que eu "estou" bonita, se eu não enxergar nisso o amor, aí quem não sabe nada sou eu!


(Rio de Janeiro, 30 de dezembro de 2012)

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